Opinião: Mutação de Robin Cook

 

Livro: Mutação

Autor: Robin Cook

Páginas: 277

Sinopse: Mutação é mais uma história aterradora e arrepiante de Robin Cook. Ela leva-nos a pensar nos perigos da engenharia genética, quando os homens não conhecem limites na sua tentativa de se igualarem a Deus, e em como a sua grande conquista se pode transformar num terrível e incontrolável pesadelo. O sonho louco de um cientista que deseja ter um filho que seja totalmente perfeito, leva-o a realizar experiências em que combina métodos de concepção de animais com genética molecular em seres humanos. O resultado é, de facto, extraordinário e espantoso. Ele consegue mesmo o filho que tanto desejava, um menino que, aos três anos, revela uma capacidade intelectual surpreendente. O pior está para vir.

Opinião:

Os benefícios da ciência no mundo de hoje são inegáveis e evidentes! Todavia, o que acontece quando a ciência desafia os conceitos morais e éticos que conhecemos ou percepcionamos como correctos? Quando o que importa são os resultados e a inteligência científica, em detrimento da compaixão, empatia e amor? Os resultados podem ser catastróficos (e assustadores), como podemos observar nesta obra.

Mutação foi publicado pela primeira vez em 1989 por Robin Cook, autor de muitos best-sellers do The New York Times. Robin Cook é um médico e escritor norte-americano e é considerado como o escritor que introduziu os termos “médicos” e destacou (de forma inovadora) este género literário.

Neste livro acompanhamos o resultado de uma experiência (tão ousada quanto perigosa) de um ginecologista e especialista no estudo de biomoléculas, Dr. Victor Frank, que adopta os métodos de reprodução animal e da genética molecular no âmbito da reprodução humanana concepção do seu segundo filho (ou criatura), devido à infertilidade da sua esposa. O resultado é deveras perturbante!

O final deixa em aberto a possibilidade de ter sido escrita uma sequela desta história ou então o objectivo era deixar o leitor à beira de um “ataque de nervos” (no meu caso, deixou-me com um escaldão nos joelhos, pois estava a ler na praia e não conseguia parar, lol)! Apesar de alguns termos científicos, Robin Cook torna acessível a informação de uma forma fluída e com uma narrativa cheia de acção. Uma obra desafiante que nos faz reflectir nestes temas controversos e delicados.

Classificação: 3*

Citação: “Era uma luta de pai contra filho, de criador contra a criatura criada”

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Opinião: Fim de Semana Inesquecível de Veronica Henry

 

Livro: Fim de Semana Inesquecível

Autora: Veronica Henry

Páginas: 376

Sinopse: Num belíssimo hotel da Cornualha, o fim de semana grande está apenas a começar… Claire Marlowe é dona do Townhouse by the Sea juntamente com Luca, o carismático chef. Ela assegura-se de que tudo corre bem – até que um hóspede inesperado faz o check-in e vira todo o seu mundo do avesso. O resto dos hóspedes chega também com os seus problemas: há um casal à procura de distração de uma tragédia familiar; um homem que tenta remediar um caso amoroso que lamenta amargamente… e a jovem que pensa que aquela povoação pode ser a chave para o seu passado. Temos assuntos do coração, segredos, mentiras e escândalos – tudo embrulhado num longo fim de semana quente.

Opinião:

Li maior parte deste livro na praia, com as ondas do mar como banda sonora, areia colada à toalha e o sol a abraçar-me a pele – de forma um pouco intensa nas costas, mas sem nenhum escaldão preocupante, pois como leitora distraída que sou, tenho de usar protector factor 30! 🙂 . A narrativa decorre num hotel da Cornualha (localizada no sudoeste de uma península da Inglaterra) e as paisagens descritas são absolutamente maravilhosas e perfeitas para quem está numa leitura de verão.

Veronica Henry formou-se em Estudos Clássicos, na Universidade de Bristol e trabalhou como argumentista para várias séries televisivas. 

Neste livro acompanhamos, para além dos donos do hotel (Claire e Luca), várias personagens que por vários motivos (e propósitos definidos) vão passar um fim-de-semana ao Townhouse hotel. Não são só os hóspedes que trazem segredos e mistérios por desvendar, mas a chegada de um hóspede inesperado vira a vida deste hotel (mais propriamente de Claire!) do avesso.

Este romance é perfeito para levar nas férias: com umas paisagens esplendorosas, histórias de vida que nos fazem rir e emocionar e algumas receitas (exóticas) muito apetitosas pelo meio. Saliento a capa lindíssima deste livro e espero continuar a acompanhar as obras desta escritora. Gostei muito e recomendo!

Classificação: 4*

Citação: “O ar cheirava a cera de abelhas e à fibra de coco do tapete no chão. E ainda – ou estaria  imaginá-lo? – o odor leve de violetas.”

Opinião: O Jardim das Borboletas de Dot Hutchison

 

Livro: O Jardim das Borboletas (#1, The Collector)

Autora: Dot Hutchison

Páginas: 320

Sinopse: Perto de uma mansão isolada, encontra-se um jardim com flores exuberantes, árvores frondosas e… uma coleção de preciosas borboletas.
Jovens mulheres sequestradas e tatuadas para se parecerem com esses belos insectos.
Quando o jardim é descoberto pela Polícia, Maya, uma das vítimas, ainda se encontra em choque e o seu relato está cheio de fragmentos de episódios arrepiantes, no limite da credibilidade.
O que esconderão as suas meias palavras?
 

Opinião:

Se houvesse um categoria para livros sinistros e aterrorizantes, este estaria, sem dúvida, incluído num lugar de primazia! Não só pelos contornos macabros desta obra (e das respectivas personagens), mas também pela originalidade e qualidade da narrativa. Um livro com um título tão bonito, mas um enredo de nos arrepiar a alma!

Este é o primeiro livro da série “The Collector” criada pela talentosa escritora Dot Hutchinson. Uma escritora a não perder de vista!

Aborda questões delicadas, como o sequestro de jovens mulheres e crianças numa sociedade contemporânea. Os abusos e maus tratos de que são vítimas e, também as consequências psicológicas de serem tratadas como meros objectos, são bastante evidentes ao longo de todo o livro, em que a aparência exterior é valorizada (de uma forma doentia e psicopata) em detrimento da essência (alma) e personalidade de cada uma destas mulheres.

Um livro com contornos de terror psicológico conta com uma protagonista de uma força (ou fragilidade reprimida pelo sofrimento) invulgares e admiráveis. No início, aparenta alguma frieza e apatia, mas ao longo da história percebemos a razão de ser como é, e o coração bondoso que possui! Os agentes do FBI Hanoverian e Eddison proporcionam uma boa mecânica na história e contribuem para a respostas de muitas questões dos leitores.

Pelo que pesquisei os direitos para a adaptação ao cinema estão a ser ponderadas por duas produtoras especializadas em filmes de terror! Um livro inquietante e de leitura voraz! Recomendo!

Classificação: 5*

Citação: “As coisas bonitas são de curta duração, disse-me ele da primeira vez que nos vimos. Ele certificava-se disso e a seguir esforçava-se por dar às suas Borboletas uma estranha espécie de imortalidade.”

Opinião: Eu Tenho um Anjo da Guarda de Jacky Newcomb

 

Livro: Eu Tenho um Anjo da Guarda

Autora: Jacky Newcomb

Páginas: 240

Sinopse: Estarão as crianças mais abertas ao contacto com o Além? Será que a espécie humana está a ampliar ou a redescobrir as capacidades do sexto sentido?
Porque será que o número de casos envolvendo crianças com dons psíquicos tem vindo a aumentar?
Sabemos que todas as crianças são extraordinárias. Mas as crianças deste livro são-no ainda mais! Elas vivem num mundo onde a «magia» é real, onde o paranormal faz parte do quotidiano, e onde o que parece improvável acontece diariamente.
Com a sua escrita informal e objetiva, Jacky Newcomb relata:
• o maravilhoso encontro entre crianças e os seus anjos da guarda vindos do Outro Lado;
• as histórias emocionantes de crianças capazes de recordarem vidas passadas;
• as histórias de crianças com um sexto sentido que as faz ver, ouvir e sentir coisas para além do «normal»;
• a aptidão dos mais pequenos para ouvir mensagens dos entes queridos falecidos;
• as capacidades extraordinárias de meninos que leem mentes e movem objetos com o pensamento;
• os dons particulares das chamadas «Crianças Índigo», «Crianças Cristal» e «Crianças Arco-Íris».
Este é um livro feito das histórias partilhadas por pais, mães, familiares e amigos de crianças que vivem esta realidade especial.

Opinião:

A leitura no âmbito da espiritualidade tem sido uma presença assídua na minha mesa de cabeceira. Confesso que adoro ler de tudo um pouco e os livros sobre anjos aquecem o meu coração de uma forma especial, que não sei explicar!

Jacky Newcomb é inglesa e especialista em experiências paranormais. Os seus livros estão editados um pouco por todo o mundo em onze línguas diferentes!

Apesar do título do livro evidenciar os anjos como tema central, este livro aborda outros temas, nomeadamente vidas passadas, a mediunidade, fenómenos invulgares, entre outros. O curioso neste livro é que temos relatos verídicos (muitos) de famílias (pais, avós, tios, etc.) que convivem com crianças especiais, sensíveis e com evidências de capacidades psíquicas inexplicáveis pela ciência. A base do livro são estas histórias verídicas relatadas nesta obra.

A autora comenta todas as histórias dos leitores, dando sugestões ou conselhos de lidar com diversas situações paranormais com que várias famílias se deparam. Sempre com muita subtileza e respeito pelas crenças de cada um! As crianças são o ponto fulcral deste livro: a sensibilidade, a abertura e a inocência de cada uma delas proporcionam momentos de leitura introspectivos e de reflexão. Um livro com a mensagem de que nunca estamos sós: Temos sempre Deus, os nossos entes queridos que já partiram e os nossos anjos que iluminam e protegem o nosso caminho!

Classificação: 3*

Citação: «Por um momento, abra a sua mente: será possível que existam coisas ainda que não as possamos ver? É concebível que algo esteja ali embora não possamos escutá-lo? É viável que algo exista ainda que sejamos incapazes de senti-lo ou tocá-lo? Claro que sim.»

Não sei se são crentes ou não, mas partilho convosco uma pequena oração que podem utilizar no vosso dia-a-dia:

“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador,

Pois a ti me confiou a piedade divina,

Hoje e sempre, me rege, guarda, governa e ilumina. Ámen!”

OU

“Anjo da Guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia. Ámen!”

Opinião: Escrito na Água de Paula Hawkins

 

Livro: Escrito na Água

Autora: Paula Hawkins

Páginas: 384

Sinopse: Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas.
Agora, é ela que aparece morta. Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?
Que segredos escondem aquelas águas? Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.

Opinião:

E se a água contasse histórias? Seriam, sem dúvida, tão profundas e misteriosas como esta! Depois de um livro estrondosamente original como foi “A Rapariga no Comboio” eis que Paula Hawkins surge com um thriller de uma intensidade marcante. Devorei cada capítulo num ápice, com uma “sede” insaciável na resolução de vários mistérios nesta obra.

A água é símbolo de emoções e sentimentos e representa, neste livro, a base de toda a narrativa. O Poço das Afogadas é um local idílico e mortífero numa pequena cidade inglesa. Cheio de mistérios e mortes (mal explicadas) de mulheres ao longo de séculos. Neste livro acompanhamos as histórias de algumas das vítimas que, aparentemente, são tão diferentes mas cujas mortes sucederam no mesmo local. A questão é: Porquê? Paula Hawkins explora a narrativa de uma forma soberba, destacando várias personagens e respectivos relatos (pontos de vista) sempre com uma nota de mistério no “ar”, nunca revelando muito e deixando o leitor sempre na expectativa do que vai suceder!

Não admira que tenha sido intitulado pela revista “Times” como «Um dos livros mais aguardados de 2017»  e número 1 no top de vendas nacional. Esta escritora denota uma qualidade neste género literário inconfundível e, confirma o seu talento de forma triunfal com esta sua segunda obra. Um livro a não perder por todos os que gostam de um bom mistério! Adorei!

Classificação: 5*

Citação: “Há quem diga que as mulheres deixaram algo de si próprias na água; há quem diga que esta conserva o seu poder, porque, desde então, tem atraído para as suas margens as desafortunadas, as desesperadas, as infelizes, as perdidas. Vêm até cá para nadarem com as suas irmãs”

Também li desta escritora:

A Rapariga no Comboio de Paula Hawkins

Cantinho de Leitura – Julho de 2018

Feliz mês de Julho! 🙂

 Ontem numa pequena caminhada pela praia, acabei sentada de pés descalços na areia e de livro no colo, com as ondas do mar como pano de fundo e o sol a acariciar-me a pele! A respiração tornou-se mais profunda e o peito leve como uma pena (e acabei a rir sozinha sem saber porquê!). A praia estava relativamente deserta devido ao vento forte e puxei um pouco as bermudas para cima e arregacei as mangas da t-shirt para sentir o sol num abraço carinhoso. Absorvi-me na leitura e, ás tantas, o vento insistia em levar-me para mais perto da água (deve haver algum íman entre mim e o mar) e não resisti em molhar os pés. Lá fui eu, de livro nos braços e sandálias na mão, sentir a água salgada da terra onde nasci. O frio, o quente, a areia, o vento e sol alcançaram-me todos juntos e sorri ainda mais para mim e para o mar que tanto amo! As ondas molharam-me os pés como uma saudação de boas-vindas e senti-me em casa! Foi o último dia de Junho que espero que se reflicta no próximo mês de Julho: com praia, sol, água e alma feliz!

 Desejo a todos um mês fantástico e cheio de alegria. Que as ondas do mar sejam a vossa banda sonora deste mês!

Curiosidades: Este mês deve o seu nome ao cônsul e ditador romano Júlio César (líder militar e político romano) e astrologicamente começa no signo caranguejo e termina no signo de Leão.

Sejam felizes e Boas Leituras 🙂

 

Opinião: Sempre Vivemos no Castelo de Shirley Jackson

 

Livro: Sempre Vivemos no Castelo

Autora: Shirley Jackson

Páginas: 208

Sinopse: Último romance publicado por Shirley Jackson, considerado uma obra fundamental da literatura norte-americana, Sempre Vivemos no Castelo narra-nos a história da extravagante família Blackwood – ou do que restou dela, após a morte por envenenamento de quase todos os seus elementos à mesa de jantar. Constance, uma das filhas, é ilibada do crime, passando a viver isolada na grande casa da família, longe da hostilidade dos habitantes da cidade. Com ela vivem o seu tio inválido, o gato Jonas e a sua irmã, Merricat, uma adolescente ingénua e invulgar que acredita em lobisomens, no poder dos objectos e em palavras mágicas, e que tudo fará para preservar este pequeno e estranho mundo. Essa frágil harmonia, contudo, é subitamente rompida com a chegada do primo Charles. Na sua presença, os terríveis acontecimentos do passado votarão para assombrar os Blackwood, revelando a sua verdadeira face.

Opinião:

Existem livros com uma magia especial! Aparentemente inofensivos e de contornos suaves, passam despercebidos se não olharmos com atenção. Têm uma forma especial…Talvez um perfume de letras inebriante que agarram o leitor e não o largam enquanto a leitura não terminar. Este é um desses livros!

Shirley Jackson (1916-1965) é considerada uma das escritoras norte-americanas mais influentes de sempre. E agora percebo porquê!

A sua escrita é absolutamente memorável: rica, com uma prosa (quase) poética e cheia de qualidade. Devorei o livro e quando terminei, só queria começar de novo!

Relatado por Mary Katherine Blackwood, ou Merricat – uma protagonista diferente de todas as outras que já tive oportunidade de ler (para dizer no mínimo) – apresenta-se sonhadora (por vezes, de uma forma assustadora e bastante negra), extravagante, diferente e determinada!

A narrativa deixa algumas situações na consideração do leitor. Existem suposições que fiz, mas que ao partilhá-las poderia eventualmente influenciar a opinião, ou perspectiva, de alguém que ainda não leu, por isso não me vou alongar na minha análise. Este é um clássico maravilhoso a não perder! Adorei e recomendo!

Classificação: 5**

Citação: «Era estranho estar dentro de mim, a caminhar firme e rigidamente para lá da vedação, pousando pesadamente os pés mas sem pressa para que eles não reparassem, estar dentro de mim, e saber que eles me estavam a ver; estava a esconder-me muito no meu interior mas conseguia ouvi-los e ainda os via pelo canto do olho. Desejei que estivessem todos caídos mortos no chão.»