Opinião: A Promessa de Lesley Pearse

 

Livro: A Promessa (Belle #2)

Autora: Lesley Pearse

Páginas: 528

Sinopse: No início de julho de 1914, a Europa vive os seus últimos dias de inocência.
A jovem Belle realizou os seus sonhos. A uma infância pouco comum seguiram-se anos dramáticos, ao longo dos quais quase cedeu ao desespero. Mas a sua coragem e determinação prevaleceram. A sua vida é agora feliz. Está casada com Jimmy, o seu primeiro amor, e conseguiu abrir a elegante loja de chapéus que sempre desejou. Mas a História do mundo está prestes a mudar. A I Guerra Mundial vai arrastar consigo milhões de pessoas. Belle e Jimmy abdicam de tudo para defenderem o seu país. São ambos destacados para França, onde Jimmy vai arriscar a vida nas trincheiras e Belle conduz uma ambulância da Cruz Vermelha. É um tempo de devastação sem precedentes em que sobreviver a cada dia representa uma vitória. E é quando o passado menos ocupa os seus pensamentos que Belle será obrigada a confrontá-lo pela derradeira vez.
Bastará um momento. Um homem. Um olhar.
Entre a luta pela sobrevivência, uma paixão proibida e a lealdade devida a um grande amor, Belle está perante uma escolha impossível. Mas ao viver na pele um dos mais sangrentos conflitos da História, terá ela poder sobre o seu destino?
A Promessa é a continuação da história de Belle, a inspiradora heroína de Sonhos Proibidos.

Opinião:

Considero a escrita e a criação literária como uma forma de arte! Uma arte transcendente que se expressa em cada leitor, consoante a sensibilidade e os interesses de cada um! Manifesta-se em cada leitor (sem olhar a classes ou estatutos societários), e surge através dos autores talentosos e inspiradores que povoam o mundo literário. Lesley Pearse é, sem dúvida, uma autora de inspiração e que se expressa de forma excepcional!

A Promessa é o segundo volume da trilogia Belle! A acção decorre no final do século XIX, mais concretamente entre Julho de 1914 e 1918! Acompanhamos o despontar da 1.ª guerra mundial, assim como todas as consequências e tragédias que derivaram do conflito. Belle vai participar como voluntária da Cruz Vermelha (conduzindo, ajudando e cuidando dos feridos de guerra) e Jimmy, o seu marido, vai para as trincheiras, onde vive situações horríveis e aterradoras! Jimmy relata a abertura da batalha de Somme (1 Julho 1916), considerado pelos britânicos como o dia mais sangrento da sua história e uma das passagens mais difíceis de ler deste livro, pela carnificina e pelas mortes terríveis de milhares (e milhares) de homens!

        Batalha de Somme (Nordeste da França) –          Decorreu de Julho a Novembro de 1916

Lesley Pearse reúne acontecimentos históricos verídicos e mistura com romance e paixões proibidas! Transmite um pouco da mentalidade e dos preconceitos daquela época de uma forma subtil! Fala sobre os traumas de guerra nos homens que sobreviveram, marcados física e mentalmente pelos horrores que viveram! As suas personagens são sempre fortes e determinadas, que nos emocionam e nos fazem sonhar! Mais um excelente livro desta autora que espero continuar a acompanhar e que recomendo vivamente!

Classificação: 5*

Citação: “Nenhuma daquelas pessoas parecia saber para onde ia ou do que viveria. Jimmy pensou que eram como milhares de ovelhas que seguiam às cegas a pessoa que caminhava à frente.”

Também li desta autora:

Sonhos Proibidos (1º livro da trilogia Belle)

  

 Segue o Coração, Não olhes para trás; A Melodia do Amor; Nunca me Esqueças

Opinião: O Caminho do Peregrino de John Bunyan

 

Livro: O Caminho do Peregrino

Autor: John Bunyan

Páginas: 192

Sinopse: A obra descreve os passos de um peregrino através do caminho da vida e oferece uma profunda mensagem espiritual para aqueles que estão decididos a viver de um modo mais verdadeiro , em consonância com aquilo que trazem gravado no coração. 
No decorrer da viagem, desde o instante em que decide deixar a sua antiga cidade e percorrer o caminho que o levará à cidade celestial, o peregrino encontra diferentes personagens e lugares, e estes representam cada uma das etapas que deve ultrapassar para alcançar o seu destino. Em cada encruzilhada, um novo desafio. Em cada vitória, uma nova responsabilidade. Uma incrível experiência humana e espiritual. 
Para milhões de pessoas do mundo inteiro, O Caminho do Peregrino carrega uma mensagem de esperança e é um modelo ímpar da perseverança e do alento no meio das dificuldades da vida. É verdadeiramente inspirador e motiva a reflexão sobre aquilo que estamos dispostos a abandonar ou a guardar connosco quando decidimos seguir a nossa verdadeira vocação e o nosso coração.

Opinião: 

O Caminho do Peregrino, publicado em Inglaterra em 1678, é o n.º 1 da lista «os melhores livros de sempre» do The Guardian. É considerado, depois da Bíblia, o livro mais vendido de sempre e também a obra de ficção mais importante do cristianismo (nenhum outro livro foi traduzido em tantos idiomas e teve tantas edições). O autor John Bunyan (1628-1688) cresceu numa família humilde e de poucos recursos e escreveu este livro na prisão, onde esteve por duas vezes devido às suas convicções religiosas.

A obra acompanha a jornada de um peregrino que larga tudo na sua vida e decide percorrer o caminho que o leva à cidade celestial. Ao longo do caminho, o protagonista encontra diferentes desafios, pessoas, atalhos. Vive momentos de desespero, angústia e tristeza, mas simultaneamente transmite esperança, fé e convicção nos valores mais profundos da nossa alma! É uma alegoria à vida humana, às diferentes etapas e momentos que passamos desde o nosso nascimento até à nossa morte!

Um livro profundo, com premissas religiosas e espirituais muito fortes! Uma reflexão das nossas convicções, motivações e anseios mais profundos! Uma reflexão de quem somos e para onde vamos, mas principalmente porque vamos: o que nos rege, o que nos impulsiona e motiva? É uma viagem espiritual que desafia o nosso ego e exalta tudo o que é invisível aos olhos humanos, em especial a nossa alma!

Curiosidade: Desde a sua publicação, o livro nunca mais deixou de ser impresso. Depois da Bíblia, este é o livro mais conhecido no meio cristão não apenas de fala inglesa, mas de diversas línguas, inclusive na China, onde, clandestinamente, chegou a produzir-se 200 mil cópias que foram distribuídas em três dias. O terceiro lugar, como o livro mais publicado do mundo, pertence ao famoso O Principezinho, escrito pelo autor francês Antoine de Saint-Exupery.

Classificação: 3*

Citações:

“Quão mais fácil é sair do caminho quando estamos nele do que alcançá-lo depois de o perder”

“Então peregrino? O que te move? Para onde te leva o coração? Dispões-te  a admitir que nada sabes? Entra no caminho. Mantém-te firme e com coragem, e terás toda a ajuda necessária, até ao fim da tua viagem.”

Opinião: Sangue Vermelho em Campo de Neve de Mons Kallentoft

 

Livro: Sangue Vermelho em Campo de Neve. “Inverno” (#1 Malin Fors)

Autor: Mons Kallentoft

Páginas: 484

Sinopse: No Inverno mais frio de que há memória na Suécia, um homem, nu e obeso é encontrado pendurado num carvalho solitário no meio das ventosas planícies de Ostergotland. O cadáver apresenta sinais evidentes de violência mas, em volta, a jovem e ambiciosa inspectora Malin Fors só pode constatar como a neve cobriu e ocultou para sempre as eventuais pistas deixadas pelo assassino. A única certeza é que o macabro achado vai abalar a vida tranquila da pequena comunidade de província e trazer de volta terríveis segredos há muito escondidos.

Opinião:

Os escritores dos países nórdicos estão, cada vez mais, a marcar presença, de forma assídua, nas livrarias portuguesas e com muito mérito (principalmente nos policiais e thrillers). Mons Kallentoft é sueco e a sua escrita “apanhou-me” de surpresa, pela profundidade e genuinidade dos sentimentos dos seus personagens e pela sua escrita elaborada e bem estruturada.

Os enigmas nesta história são muitos! A neve abunda e o Inverno instala-se ao longo de toda a narrativa. O frio cortante que se faz sentir na pequena cidade de Linköping, na Suécia, é reflexo do crime horrível e de traços macabros com que a inspectora Malin Fors se depara.

O final … o final foi um enigma em si mesmo! Tive de reler alguns parágrafos finais para perceber se tinha interpretado bem o que tinha acontecido! Fiquei surpreendida como terminou, fiquei ainda com mais questões do que quando comecei (lol). Um thriller que aconselho a todos os amantes de um bom policial ou apenas de uma história cheia de suspense e mistérios sombrios.

Classificação: 5* (quase 6*, mas o final demasiado enigmático deixou-me um pouco surpreendida e com algumas dúvidas)

Citação: “O Amor e a Morte são vizinhos. Os seus rostos são únicos e iguais. O ser humano não precisa de parar de respirar para morrer e não lhe basta respirar para viver.”

Opinião: Memorial do Convento de José Saramago

 

Livro: Memorial do Convento

Autor: José Saramago

Páginas: 400

Sinopse: Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.

Opinião:

Lembro-me quando José Saramago ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1998, tinha cerca de 12 anos e estava numa aula de português na pequena vila onda cresci (a professora levou televisão e tudo!) e foi quando percebi o impacto da notícia e da importância de tal prémio para Portugal. É um nome incontornável e marcante no panorama literário! Para além do Prémio Nobel foi também galardoado com o Prémio Camões em 1995! A sua escrita “estranha-se” no início, mas depois “entranha-se”!

Esta obra decorre no início do século XVIII, durante o reinado de D. João V e da dura acção da Inquisição. Foi este Rei o responsável pela construção do Convento de Mafra (Palácio Nacional de Mafra) em resultado de uma promessa pessoal para garantir a sucessão do trono. Saramago, não poupa críticas ao poder político e especialmente religioso, que naquele tempo, devido à Inquisição, tinha consequências terríveis na vida dos portugueses.

Baltazar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas  são duas personagens que acompanhamos ou que nos acompanham – de forma diligente – ao longo deste romance! São duas personagens com uma história de amor invulgar, inocente e com um significado além do tempo! Não sei se Saramago escreve poesia entrelaçada na sua narrativa, mas é sem dúvida, única, diferente, desafiante e marcante!

Classificação: 3*

Citação: “não falou Blimunda, não lhe falou Baltazar, apenas se olharam, olharem-se era a casa de ambos”

Também li deste autor:

O Conto da Ilha Desconhecida

Opinião: O Amor Está no Ar de Dorothy Koomson

 

Livro: O Amor Está no Ar

Autora: Dorothy Koomson

Páginas: 336

Sinopse: Depois de sair de Londres para seguir o seu desejo de mudar de vida, Ceri D’Altroy jura abandonar definitivamente as suas manias de casamenteira. Isto porque parece que a sua simples presença acaba por incentivar as pessoas que encontra pelo caminho a mudar de vida.
No seu novo emprego, conhece Ed que decidiu declarar o seu amor por uma mulher que o enlouquece; Mel e Claudine, dois amigos de longa data que resolvem iniciar um romance ilícito; e Gwen, a chefe de departamento que é uma fumadora compulsiva e esconde um segredo profundo e sombrio que só quer partilhar com a sua nova funcionária.
Quem entra em contacto com Ceri, nunca mais volta a ser o mesmo.
Será ela o Cupido dos tempos modernos?

Opinião:

Todos conhecemos a figura mitológica do Cupido, mais que não seja a sua associação ao Amor e a sua representação de um menino com um arco e setas prontas a atingir as suas vítimas inocentes e (na maioria das vezes) despreparadas para as consequências! A escritora inglesa Dorothy Koomson apresenta-nos uma história com um “Cupido” dos tempos modernos (nada daquilo que a história da mitologia romana nos ensina), gerando uma narrativa de muito humor, diversão e momentos hilariantes!

As personagens premeiam a acção de originalidade e de muitos momentos burlescos. A própria escrita é pautada pelos momentos cómicos que se geram de algo, por vezes tão sério, como os sentimentos amorosos de uma pessoa! Esta característica permite que o tema do Amor seja abordado, simultaneamente de uma forma ligeira e desprendida e outras vezes de uma forma muito séria!

Gostei da originalidade da história, das personagens não-perfeitas e do ênfase no amor-próprio! Esta é a minha estreia com esta escritora tão conhecida em Portugal e no estrangeiro! Uma óptima sugestão para uma leitura ligeira de verão, com momentos cómicos e de romantismo (por vezes) dramático e hilariante! Preparem-se para algumas gargalhadas!

Classificação: 3*

Citação: «A caridade bem entendida começa por nós mesmos, assim como as esperanças de amor e afecto»