Opinião: As Brumas de Avalon – O Prisioneiro da Árvore de Marion Zimmer Bradley

 

Livro: As Brumas de Avalon – O Prisioneiro da Árvore (#4, The Mists of Avalon)

Autora: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 344

Sinopse: No derradeiro volume deste clássico, Morgaine vai ao encontro do seu destino que a coloca contra Artur – o seu amante, irmão e agora inimigo. Ao regressar a Camelot durante o Banquete de Pentecostes, Morgaine acusa Artur de comprometer a coroa, e exige que este lhe devolva a espada mágica Excalibur.
Mas Artur recusa e Morgaine tenta de tudo para o travar, nem que para isso tenha que usar as pessoas que ama para o desafiar. Quando Avalon se sente traída por Artur, Morgaine invoca a sua magia para lançar os companheiros de Artur numa demanda pelo cálice sagrado.
Os eventos escapam ao controlo de todos quando Lancelet regressa e sucumbe de novo à sua paixão por Gwenhwyfar. Mas o Rei Veado tem assuntos mais importantes como a guerra decretada por Mordred que pretende usurpar o trono de Camelot.
Conseguirá o mundo de Avalon sobreviver ou será forçado a desaparecer nas brumas do tempo e memória?

Opinião:

O que fazemos quando a protagonista inicial da história (da série) se torna a “grande vilã” no final?

Morgaine (a nossa vilã/heroína) é uma personagem complexa, ou odiamos, ou adoramos (por vezes ambos), mas é impossível ficar indiferente! Aqui está um livro (série) que nos faz repensar o termo “vilã” ou ” heróis” na sua essência mais profunda e verdadeira! Talvez sejam faces da mesma moeda!

Talvez não exista uma vilã nesta história! Apenas uma mulher sofrida, com desejo de salvaguardar as suas crenças e tradições, perdendo-se pelo caminhoou “guiando” o caminho para o desenlace dramático desta saga  … pois sem esta “vilã”, a lenda Arturiana não teria o mesmo impacto que conhecemos, no âmbito literário e cinematográfico!

Neste quarto e último volume, acompanhamos o destino final das personagens marcantes, desta série, da americana Marion Zimmer Bradley. Acompanhamos o final de Merlin (Kevin), a rainha Gwen, o bravo Lancelet, o misterioso Mordred e o valoroso Rei Artur. Para quem conhece a lenda o final não é “e viveram felizes para sempre”, pelo contrário! É dramático, triste e comovente! É verdadeiro, cruel e revelador! Uma série intemporal e memorável! Recomendo!

Classificação: 3*

Citação: “Não procures levar-me para a vida, quando eu já me resignei a ficar aqui, na morte. Aqui, nestas terras imortais, tudo está em sossego, sem dor nem luta; aqui, posso esquecer tanto o amor como a dor.”

Também li desta autora:

   

A Casa da Floresta / As Brumas de Avalon-A Senhora da Magia (Vol.I) /

As Brumas de Avalon-A Rainha Suprema (Vol. II) / As Brumas de Avalon-O Rei Veado (Vol. III)

Opinião: As Brumas de Avalon-O Rei Veado de Marion Zimmer Bradley

 

Livro: As Brumas de Avalon – O Rei Veado (#3 The Mists of Avalon)

Autora: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 307

Sinopse: Nos anos que se seguem à coroação do rei Artur, a rainha Gwenhwyfar continua as suas manipulações para assegurar a lealdade do seu marido à igreja cristã, enquanto a sacerdotisa Viviene decide confrontar Artur pelo ato de traição contra Avalon.Nos bastidores, Morgaine planeia o casamento de Lancelet, que ameaça sucumbir ao desespero pelo triângulo amoroso em que se vê enredado. Quando a rainha Gwenhwyfar descobre esse plano, jura vingança. Morgaine, através do seu próprio casamento, dedica-se a fortalecer a causa de Avalon. As sacerdotisas da Ilha das Brumas tudo farão para competir pela alma da Grã-Bretanha contra a maré insurgente da Cristandade. Mas que efeitos terá a chegada do jovem Gwydion, filho de Morgaine e Artur? Irá correr em auxílio do rei ou libertar o caos?

Opinião:

Neste terceiro volume da série As Brumas de Avalon, acompanhamos os anos após a coroação do Rei Artur – sempre pela perspectiva das mulheres que o rodeiam. Somos surpreendidos com algumas mortes inesperadas, alguns nascimentos importantes e a afirmação de Artur, enquanto rei atento e benevolente, mas acima de tudo, enquanto homem justo e de princípios.

Observamos o crescente antagonismo entre Gwenhwyfar – uma devota cristã e apaixonada por dois homens em simultâneo (qual ironia de sentimentos!) – e Morgaine – uma devota da Deusa e dos antigos costumes de feitiçaria – cuja amizade inicial se desvanece perante a revelação de um dos segredos mais bem guardados nos volumes anteriores. As consequências desta rivalidade tem algumas (duras) consequências e percebemos o porquê de Morgaine ter uma reputação tão negra na conhecida lenda Arturiana.

São ambas protagonistas. Ambas mulheres com mentalidades enraizadas nas suas próprias crenças e na época em que vivem. Ambas influenciam Artur (por vezes demasiado), à sua maneira! Se, em vez de rivalidade entre estas duas mulheres, houvesse união e compreensão, talvez o desfecho desta lenda lindíssima, tivesse tido outro desenlace! Que venha o quarto e último volume desta série intemporal!

Classificação: 3*

Citação: “Portanto, que se cumpra o que os fados ordenaram … O Rei-Veado governará na floresta até ao dia em que a Senhora ordenou … Porque todos os animais nasceram e se juntaram a outros da sua espécie, viveram e trabalharam segundo a vontade das forças da vida e finalmente desistiram dos seus espíritos e entregaram-nos de novo à Senhora …”

Também li desta autora:

  

A Casa da Floresta / As Brumas de Avalon-A Senhora da Magia (Vol.I) /

As Brumas de Avalon-A Rainha Suprema (Vol. II)

Opinião: As Brumas de Avalon-A Rainha Suprema de Marion Zimmer Bradley

 

Livro: As Brumas de Avalon – A Rainha Suprema (#2 The Mists of Avalon)

Autora: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 315

Sinopse: A misteriosa Morgaine é meia-irmã de Artur e grã-sacerdotisa da brumosa Avalon, terra encantada onde o verdadeiro conhecimento é preservado para os vindouros. Para Morgaine existe um objetivo fundamental: afastar a Bretanha da nova religião que vê a mulher como portadora do pecado original. A bela rainha Gwenhwyfar jurou fidelidade ao rei Artur, o Rei Supremo, mas não consegue esquecer a paixão que sente por Lancelet, exímio cavaleiro e melhor amigo de Artur. Quando o seu dever de conceber um herdeiro para o trono falha, Gwenhwyfar convence-se de que é vítima de um castigo divino e entrega-se de corpo e alma à religião de Cristo. As hostilidades aumentam inevitavelmente entre ambas as mulheres que detém o poder em Avalon e Camelot. Conseguirá Artur conciliar dois mundos antagonistas sob os estandartes reais e resistir aos Saxões? Se Morgaine tudo fará para proteger a sua herança matriarcal e desafiar a nova religião que cresce, já Gwenhwyfar não hesitará em persuadir Artur a trair os seus juramentos…

Opinião:

Há algo de mágico em Avalon! É lendária pela sua história e muitos estudiosos acreditam que teria sido um lugar oculto, nas montanhas da outrora Aquitânia (Sudoeste de França), mas nunca se constatou, realmente, a veracidade desta informação. O certo é que a ilha de Avalon está intrinsecamente ligada à lenda Arturiana e, é conhecida pelas suas belas maçãs e por ser o local onde Excalibur (a espada do Rei Artur) foi forjada. Este segundo volume, não aborda muito este local (com alguma pena minha), concentrando a atenção em Caerleon e Camelot, onde a teia de uma história muito antiga se adensa perante os nossos olhos.

Neste segundo livro, temos a perspectiva da esposa prometida e devota de Artur, Gwenhwyfar e da sua meia-irmã, Morgaine, que esconde um segredo capaz de abalar as estruturas do reino. Acompanhamos o (famoso) triângulo amoroso entre Artur, Gwenhwyfar e Lancelet. Se bem que, na minha perspectiva, seria mais um quarteto amoroso, se incluirmos a misteriosa e indomável, Morgaine! 

Um retrato profundo da mentalidade humana daquela época, com crenças muito díspares quanto à religião, espiritualidade e direitos das mulheres (ou talvez devesse dizer, deveres das mulheres, pois direitos não lhes eram concedidos nenhuns). Uma reinvenção extraordinária da lenda, com uma narrativa de muita qualidade e bem construída. O final foi, novamente, cheio de suspense e cujas consequências não deverão ser muito agradáveis para o triângulo amoroso. Já estou curiosa para saber o que vai acontecer no próximo volume. Gostei e recomendo! 

P.S.: Estou a ler a edição de 1982, logo alguns dos nomes estão na versão mais antiga. Por exemplo: Lancelet é mais conhecido (hoje em dia) por Lancelot. Assim como Morgaine é mais conhecida por Morgana. São as mesmas personagens, simplesmente estão com os nomes que foram utilizados nesta edição. 

Classificação: 4*

Citação: “À medida que envelheço, cada vez me convenço mais que talvez aquilo que consideramos como o passar do tempo, apenas acontece porque contraímos o hábito terrivelmente enraizado em nós de contar as coisas – os dedos de um recém-nascido, o nascer e o regresso do Sol -, pensamos tantas vezes em quantos dias têm de passar, ou quantas estações, antes que a nossa colheita amadureça ou o nosso filho cresça no ventre e nasça, ou se dê um encontro há muito desejado …”

Também li desta escritora:

 

A Casa da Floresta / As Brumas de Avalon-A Senhora da Magia (Vol.I)

Opinião: As Brumas de Avalon-A Senhora da Magia de Marion Zimmer Bradley

 

Livro:  As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia (#1 The Mists of Avalon)

Autora: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 316

Sinopse: Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas. Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera…

Opinião:

Talvez uma das lendas mais conhecidas dos últimos séculos, a lenda do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola redonda, já foi adaptada ao cinema, teatro, literatura, documentários de investigação e (re)contada das mais diversas formas e perspectivas, povoando o imaginário de todos aqueles que (como eu) adoram lendas celtas com uma história rica e cheia de magia.

Esta versão de Marion Zimmer Bradley é, talvez, uma das mais conhecidas e consagradas neste âmbito. Esta reinvenção da história é narrada a partir do ponto de vista das mulheres.

Neste primeiro livro temos a perspectiva de Igraine (mãe de Artur), Viviane (a sacerdotisa de Avalon e irmã de Igraine) e Morgaine (filha de Igraine e meia-irmã de Artur). Este volume retrata um período histórico onde o cristianismo primitivo e a religião celta se rivalizavam na Bretanha e esse antagonismo é sentido por estas mulheres (curiosamente de forma muito diferente e profunda).

Para além da componente histórica, temos o romance de Igraine e Uther (pais de Arthur) que se revelou uma surpresa, pois tinha uma perspectiva diferente da forma como se conheceram e apaixonaram. E ainda a história de Morgaine, que historicamente é conhecida como a “grande vilã da história”, mas que neste livro se mostrou completamente diferente: virtuosa, compreensiva e humilde. E com um destino interligado ao de Artur! Estou muito curiosa com os próximos volumes, devido ao final surpreendente e cheio de suspense! Gostei muito!

Classificação: 4*

Citação: “Pergunto a mim mesmo … parece-me que a vida é uma coisa demasiado grandiosa para só ser vivida uma vez e ser depois apagada como uma candeia quando o vento sopra. E porque é que quando olhei pela primeira vez para o teu rosto, senti que te conhecia mesmo antes do mundo existir?”

Também li desta escritora (há muitos anos):

A Casa da Floresta