Opinião: Memorial do Convento de José Saramago

 

Livro: Memorial do Convento

Autor: José Saramago

Páginas: 400

Sinopse: Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.

Opinião:

Lembro-me quando José Saramago ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1998, tinha cerca de 12 anos e estava numa aula de português na pequena vila onda cresci (a professora levou televisão e tudo!) e foi quando percebi o impacto da notícia e da importância de tal prémio para Portugal. É um nome incontornável e marcante no panorama literário! Para além do Prémio Nobel foi também galardoado com o Prémio Camões em 1995! A sua escrita “estranha-se” no início, mas depois “entranha-se”!

Esta obra decorre no início do século XVIII, durante o reinado de D. João V e da dura acção da Inquisição. Foi este Rei o responsável pela construção do Convento de Mafra (Palácio Nacional de Mafra) em resultado de uma promessa pessoal para garantir a sucessão do trono. Saramago, não poupa críticas ao poder político e especialmente religioso, que naquele tempo, devido à Inquisição, tinha consequências terríveis na vida dos portugueses.

Baltazar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas  são duas personagens que acompanhamos ou que nos acompanham – de forma diligente – ao longo deste romance! São duas personagens com uma história de amor invulgar, inocente e com um significado além do tempo! Não sei se Saramago escreve poesia entrelaçada na sua narrativa, mas é sem dúvida, única, diferente, desafiante e marcante!

Classificação: 3*

Citação: “não falou Blimunda, não lhe falou Baltazar, apenas se olharam, olharem-se era a casa de ambos”

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O Conto da Ilha Desconhecida

Opinião: O Amor Está no Ar de Dorothy Koomson

 

Livro: O Amor Está no Ar

Autora: Dorothy Koomson

Páginas: 336

Sinopse: Depois de sair de Londres para seguir o seu desejo de mudar de vida, Ceri D’Altroy jura abandonar definitivamente as suas manias de casamenteira. Isto porque parece que a sua simples presença acaba por incentivar as pessoas que encontra pelo caminho a mudar de vida.
No seu novo emprego, conhece Ed que decidiu declarar o seu amor por uma mulher que o enlouquece; Mel e Claudine, dois amigos de longa data que resolvem iniciar um romance ilícito; e Gwen, a chefe de departamento que é uma fumadora compulsiva e esconde um segredo profundo e sombrio que só quer partilhar com a sua nova funcionária.
Quem entra em contacto com Ceri, nunca mais volta a ser o mesmo.
Será ela o Cupido dos tempos modernos?

Opinião:

Todos conhecemos a figura mitológica do Cupido, mais que não seja a sua associação ao Amor e a sua representação de um menino com um arco e setas prontas a atingir as suas vítimas inocentes e (na maioria das vezes) despreparadas para as consequências! A escritora inglesa Dorothy Koomson apresenta-nos uma história com um “Cupido” dos tempos modernos (nada daquilo que a história da mitologia romana nos ensina), gerando uma narrativa de muito humor, diversão e momentos hilariantes!

As personagens premeiam a acção de originalidade e de muitos momentos burlescos. A própria escrita é pautada pelos momentos cómicos que se geram de algo, por vezes tão sério, como os sentimentos amorosos de uma pessoa! Esta característica permite que o tema do Amor seja abordado, simultaneamente de uma forma ligeira e desprendida e outras vezes de uma forma muito séria!

Gostei da originalidade da história, das personagens não-perfeitas e do ênfase no amor-próprio! Esta é a minha estreia com esta escritora tão conhecida em Portugal e no estrangeiro! Uma óptima sugestão para uma leitura ligeira de verão, com momentos cómicos e de romantismo (por vezes) dramático e hilariante! Preparem-se para algumas gargalhadas!

Classificação: 3*

Citação: «A caridade bem entendida começa por nós mesmos, assim como as esperanças de amor e afecto»

Opinião: Paula de Isabel Allende

 

Livro: Paula

Autora: Isabel Allende

Páginas: 350

Sinopse: “Paula”, de Isabel Allende, é o testemunho contado na primeira pessoa sobre a morte de uma filha. Como se de uma viagem ao sofrimento humano se tratasse, o livro percorre também a vida da escritora, entrecortada por alegrias e tristezas, acontecimentos que fizeram história, personagens diversas, amores e desilusões.

Opinião:

Isabel Allende é uma talentosa escritora chilena que admiro pela sua extraordinária forma de escrever, que possui uma distinta ambiguidade, envolvendo gargalhadas de humor divertido e prantos de choro vindos do coração! Não ficamos indiferentes à sua escrita fluída, crua, dura e muito emotiva!

Esta obra é um retrato autobiográfico da autora, onde a mesma partilha um dos momentos mais difíceis da sua vida: a morte da sua filha Paula! Acompanhamos o relato sofrido de Allende, as suas memórias de infância, juventude e maturidade, incluindo o Golpe de Estado no Chile que contribuiu à sua saída do seu país natal!

Um livro que tive de ler com calma (devido ao tema doloroso que aborda), muitas vezes o nó na garganta e a emoção prendiam-me os sentidos e obrigavam-me a parar a leitura e tinha alguma relutância em voltar a pegar de novo. Não é uma leitura fácil (ou pelo menos não foi para mim), mas é bom reflectirmos sobre estes temas (vida e morte) e darmos espaço para acolher relatos emocionantes que nos façam pensar no verdadeiro significado desta caminhada (por vezes sem sentido) a que chamamos “Vida”.

Classificação: 4*

Citação: “Sou o vazio, sou tudo o que existe, estou em cada folha do bosque, em cada gota do orvalho, em cada partícula de cinza que a água arrasta, sou a Paula e também sou eu própria, sou nada e tudo o resto nesta vida e noutras vidas, imortal.”

Também li desta autora:

Retrato a Sépia /De Amor e de Sombra / A Cidade dos Deuses Selvagens / O Jogo de Ripper / A Soma dos Dias

 

Opinião: Todos Temos Um Anjo da Guarda de Pedro Siqueira

 

Livro: Todos Temos Um Anjo da Guarda

Autor: Pedro Siqueira

Páginas: 160

Sinopse: Pedro Siqueira é um místico dos nossos dias, que toda a vida recebeu mensagens e visões. Compreendeu desde cedo que o seu dom o incumbia de uma missão: gerar e facilitar a ligação com o mundo espiritual e ajudar as pessoas a desenvolver a fé através das mensagens de santos, anjos e de Nossa Senhora. Começou a partilhar as mensagens que recebia com pequenos grupos de oração. Pouco a pouco, esse círculo foi crescendo e, hoje, Pedro Siqueira dirige a oração do terço com centenas de milhares de fiéis em todo o mundo.
Todos Temos um Anjo da Guarda é o segundo livro de Pedro Siqueira e tornou-se de imediato um sucesso de vendas sem precedentes no Brasil. A lição que transmite é simples e poderosa: explica que os anjos da guarda são presenças na vida não só de místicos e pessoas espiritualmente devotas, mas na vida de cada um de nós. A missão destes seres de luz consiste em ajudar-nos a viver com mais paz, amor e harmonia. Basta saber escutá-los… e Pedro Siqueira ensina, ao longo destas páginas, como o fazer.

Opinião:

Assim como o corpo necessita de cuidados e atenção, também a alma e o espírito necessitam de espaço nas nossas vidas modernas cheias de movimento! Cada vez mais, a oração, a meditação e a leitura de temas espirituais permeiam o meu cantinho de leitura e me preenchem de uma forma inexplicável e sem comparação. Descobri este autor brasileiro à relativamente pouco tempo, mas o seus livros são como uma luz brilhante que me ofusca e não me larga até chegar à última página!

Um livro que aborda um tema muito especial: o nosso Anjo da Guarda! Todos temos um! Está sempre connosco e o seu amor é incondicional! Não interessa a etnia, a religião, a posição social ou as crenças, todos temos um ser de luz que nos acompanha desde a nossa concepção à nossa morte! Um livro com mensagens muito especiais: de esperança, amor, e com a certeza absoluta de que nunca estamos sozinhos!

Classificação: 4*

Citação:Oração ao anjo da guarda: Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre, me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.”

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Você Pode Falar com Deus

Opinião: Um Pequeno Escândalo de Patricia Cabot

 

Livro: Um Pequeno Escândalo

Autora: Patricia Cabot

Páginas: 416

Sinopse: Quando a bela Kate Mayhew é contratada como dama de companhia de Isabel, a filha obstinada de Burke Traherne, o marquês vê-se numa situação impossível. Dividido entre saber que ela é exatamente aquilo de que Isabel precisa mas, para ele, a pior tentação possível, encontra-se constantemente perto de alguém que ameaça a sua independência. Conhecido pelo seu autodomínio férreo desde o dia em que apanhou a mulher com um amante, Burke jurou nunca mais arriscar-se a casar. Ao aceitar a oferta de emprego de Sua Senhoria, a temperamental Kate enfrenta dois perigos: sua atração irresistível por um homem que abdicou do amor, e um encontro com o seu próprio passado escandaloso… que ela não pode manter secreto para sempre.

Opinião: 

Patricia Cabot já escreveu mais de cinquenta livros com diferentes pseudónimos, entre eles a tão conhecida série “O Diário da Princesa” (The Princess Diaries), adaptada ao cinema pela Walt Disney Pictures, com grande sucesso.

Este romance acontece no século XIX, no ano de 1870, em Londres. Trata-se de uma época de rígidos costumes e com grande enfoque nas aparências materiais. Uma obra com muitos momentos de humor e paixão, sendo as personagens muito divertidas e carismáticas. A narrativa apresenta-se muito fluída e apaixonada e é uma óptima opção para os leitores mais românticos ou para alternar com leituras mais pesadas e introspectivas.

Um romance que inspira esperança naqueles que sonham um dia encontrar o amor. Por mais distante ou impossível que pareça, a esperança persiste em cada capítulo, revelando que se nos sentirmos felizes com o que temos, tudo o resto vem por acréscimo! Por vezes muito mais do que alguma vez poderíamos sonhar …

Classificação: 4* 

Citação: «Portanto, não lhe restava mais nada a fazer a não ser continuar, e trabalhar para ganhar o seu sustento, e enfrentar cada dia como outra oportunidade de encontrar o amor que tinha a certeza que estava reservado para ela. Pois todos os livros que alguma vez lera lhe haviam assegurado que o amor era a justa recompensa daqueles que eram pacientes e tinham bom coração. E ela achava que possuía ambas as qualidades. O amor estava certamente ao virar da esquina para Katherine Mayhew. Tinha apenas de encontrar a sua esquina.»

 

Opinião: Vida Depois da Vida de Raymond A. Moody Jr.

 

Livro: Vida Depois da Vida: Investigação de um fenómeno

– A Sobrevivência à Morte Física (#1, Life After Life)

Autor: Raymond A. Moody Jr.

Páginas: 173

Sinopse: Durante cerca de cinco anos, o Dr. Raymond A. Moody procedeu a estudos que envolveram as declarações de mais de cem pessoas que haviam sido consideradas clinicamente mortas e sobreviveram. As declarações destas sobre o que então passaram, sensacionalmente semelhantes entre si nos seus pormenores, facultam-nos a emocionante prova de que o espírito humano sobrevive à morte.

Opinião: 

Raymond A. Moody Jr. é um psiquiatra norte-americano conhecido pelas suas obras sobre a vida depois da morte e de experiências de quase-morte (termo criado pelo próprio em 1975). Em 1976 foi premiado com um doutoramento em medicina pela Faculdade de Medicina da Geórgia e apresenta-nos, neste livro, uma investigação sobre o fenómeno da morte, de uma forma científica, filosófica e psicológica.

A sua abordagem e análise do tema em questão é diferente de tudo o que já li neste âmbito! Percebemos a sua natureza científica e analítica de médico e terapeuta (com uma mente científica muito apurada). Contudo, percebemos também o seu cuidado e respeito, por tudo o que transcende aquilo que não consegue provar fisicamente!

A obra baseia-se numa série de entrevistas aos mais diversos pacientes que relatam experiências de quase-morte. Pessoas de diferentes crenças e/ou religiões, mas com relatos com vários pontos em comum. Aborda as questões mais cépticas, estabelece paralelos com escritos e filosofias já existentes (Platão, a Bíblia, O Livro Tibetano dos Mortos, etc.) e de forma muito sucinta, aborda este tema que tanto curiosidade suscita nas pessoas: a experiência da morte do corpo físico – e do despertar da consciência, do espírito e da alma na sua verdadeira essência!

Classificação: 3*

Citação: «Se forem reais as experiências que descrevi, isso terá profundas implicações no sentido a dar às nossas vidas. Porque então será verdade que não podemos entender a vida se não tivermos a percepção do que se passa para além dela.»

Opinião: No Tempo das Fogueiras de Jeanne Kalogridis

 

Livro: No Tempo das Fogueiras

Autora: Jeanne Kalogridis

Páginas: 352

Sinopse: Transportando o leitor para a França do séc. XIV, terra fértil em hereges – cátaros, gnósticos e templários -, Jeanne Kalogridis conta-nos a história de Sybille, uma rapariga com estranhos e inexplicáveis poderes.Como se não bastasse a Guerra dos Cem Anos e a terrível Peste Negra, a Inquisição acende dezenas de milhares de fogueiras para queimar hereges. E quando a avó de Sybille é torturada e queimada, só lhe resta fugir para um convento. Os seus dons de cura e premonição permitem-lhe subir na hierarquia da Igreja e na admiração do povo que a adora como uma santa. Mas, aos olhos do Papa, Sybille é uma ameaça e uma bruxa que tem de ser atirada ao fogo. Quando é presa, cabe ao jovem inquisidor Michel interrogá-la. Este agradece a Deus a sua sorte, pois sempre acreditou na santidade de Sybille e assim poderá salvá-la. Mas quando ela lhe conta a sua história, toda a fé do jovem ameaça ruir. Para piorar, de dia sofre pressões para a queimar, e de noite arde de desejo por ela. No Tempo das Fogueiras é um livro vitorioso, onde Kalogridis conseguiu criar uma heroína de proporções épicas e um leque de personagens maravilhosas.

Opinião:

Jeanne Kalogridis é licenciada em Linguística pela University of South Florida e tem especial interesse pelo yoga e o budismo. É bastante patente a sua predilecção nestas vertentes filosóficas e espirituais ao longo de toda a narrativa (de uma forma bastante acérrima!).

Acompanhamos uma época em que se queimavam as mulheres e homens detentores de “poderes divinos e espirituais” inexplicáveis, ou simplesmente, detentores de crenças diferentes das determinadas pela Sociedade/Igreja.

A acção desenrola-se no século XIV, na França, e aborda um tema delicado. Tinha algumas expectativas quando peguei neste livro, contudo a trama não me envolveu como, inicialmente, previa! As cenas de (demasiada) violência, sangue e humilhação, perturbam qualquer leitor menos prevenido (como foi o meu caso) e a estrutura da história era algo confusa e dispersa!

A época e o tema que foram abordados são extremamente interessantes (apesar de dolorosos de ler e reflectir), todavia a estrutura e o conteúdo da obra não me cativaram muito! Saliento, ainda, que bom é vivermos numa época em que temos liberdade de expressão e de crenças religiosas/espirituais sem julgamentos ou represálias de morte! Independentemente da filosofia ou religião que nos preenche, que bom é poder amar Deus (Universo, ou como queiram chamar) da forma que cada um mais se identifica! Com aquilo que vos faz vibrar a alma…

Classificação: 2*

Citação: « A fé é uma teia de aranha. À nascença, estamos no seu centro, olhando para centenas de caminhos que se espalham à nossa volta. O nosso destino verdadeiro está no final de um deles, e só de um. Podemos inicialmente não escolher o percurso certo, ou outros podem intervir para nos desorientar, mas é sempre possível parar e mudar de direcção para chegar ao verdadeiro Caminho. Na verdade, é possível andar por centenas de caminhos que não são o nosso, e depois, no final da nossa vida, cruzar de fio em fio até ao fio de seda e chegar finalmente ao nosso melhor destino.»