Lembrar Saramago

saramago

“Há 15 anos, a 8 de Outubro de 1998, foi anunciado o prémio Nobel da literatura.

Nesta fotografia, o momento em que o galardão é entregue a José Saramago.”

Remar contra a maré

barco e nevoeiro

“Não sei se sou eu que remo contra a maré ou se é a maré que vai contra mim. De uma maneira ou de outra, continuo neste barco perdido no meio do oceano e nem um farol de aviso se vê no meio do nevoeiro denso e pesado. Remo com mais força mas os braços já me doem e o peito quase explode de tanta força que faço para não ir ao fundo. Para manter o barco estável e tranquilo. Não sei se vale a pena continuar a remar. Talvez siga apenas ao sabor da maré. Talvez não me mexa e me dissolva no nevoeiro à minha volta. Talvez permaneça estável e me torne numa das muitas ondas que açoitam o barco. Serei lembrada como “a rapariga do barco”. Ou talvez “a rapariga do nevoeiro”. Aquela que nunca encontra rumo certo. Aquela que por mais que reme nunca chega à costa, nunca vê a sua tão afamada terra. Aquela que se perdeu no meio do mar à procura daqueles que já partiram e lhe deixaram lágrimas de saudade. Aquela que não fala, apenas rema. Sozinha … sempre sozinha, no meio das ondas, no meio do nevoeiro, com lágrimas de saudade … não sei se sou eu que remo contra a maré ou se é a maré que vai contra mim … mas assim me mantenho”

Sara – Momentos de Magia